A Maria Garcia fez uma ótima estréia no SPFW, apresentando uma coleção despretenciosa, jovem e feminina. Modelagens delicadas, bordados de metal e lindos adereços de cabeça –com penas e pérolas– encantaram a platéia. O cenário, um corredor formado por grades, e a trilha sonora com músicas de Lou Reed, criaram o contraponto ideal.
Camila Cutolo, responsável pela marca, ao contrário da maior parte dos estilistas que sonha em integrar o line-up do SPFW, sempre foi avessa à idéia de mostrar a coleção na semana de moda paulistana. “Não queria ser uma figura pública, me considero só uma pessoa que trabalha com moda. Mas tive que deixar a timidez de lado em nome do crescimento da marca”, diz.
Cada desfile é um momento único, uma alquimia entre a imaginação do estilista, a eletricidade da platéia, a dramaticidade do cenário, do som e da luz. Despertar desejo é o grande sonho de quem cria.
[Fotos exclusivas de Rogério Cavalcanti do desfile de André Lima]
Por falar em desejo, vale a pena assistir ao programa “Café Filosófico” da TV CULTURA, que aborda este tema. No vídeo, que você pode ver AQUI, o psicanalista Ivan Capelatto fala sobre a busca do inalcansável objeto de desejo.
Abaixo, algumas frases pinçadas do programa.
“O desejo não está ligado ao prazer, mas sim à busca de um objeto. Quando este objeto é alcançado, o desejo perde a sua significação”.
Para Maud Mannoni, psicanalista francesa, “o desejo mais profundo do ser-humano é ser desejado pelo outro”.
“De acordo com o conceito do Desejo Paradoxal, nosso maior medo é de não sermos mais desejados pelo outro. Assim, nos tornamos reféns dos desejos alheios. Medo e desejo são irmãos gêmeos, fazem parte do mesmo composto.”
“O remédio contra o desejo é a consciência.”
“O que é a felicidade que tanto buscamos? É um prazer constante. E qual é o objeto capaz de produzir isso?”
É hora de reforçar a galeria de imagens inovadoras.
Danielle Jensen, estilista da Maria Bonita, conseguiu traduzir o espírito dos jangadeiros numa coleção belíssima e sofisticada. As redes de pesca se transmutaram em roupas que parecem flutuar no corpo.
Reinaldo Lourenço mostrou uma série de tramas elaboradas, de tirar o fôlego!
As guerreiras de Alexandre Herchcovith têm ombros fortes, adornados com cascatas de babados.
Depois de passear de barco pelo rio São Francisco, Ronaldo Fraga criou um cardume de mulheres-peixes.
André Lima deve ter aprendido a fazer origami com algum mestre japonês: seus vestidos transformaram as modelos em flores e borboletas!
Faço um pequeno intervalo, entre um desfile e outro do SPFW, para publicar mais um Portfólio, espaço que se destina a divulgar novos talentos e/ou trabalhos inéditos de autores já consagrados.
O Portfólio #4 apresenta dois profissionais que despontam no mercado de moda: o stylist Henrique Tank e a modelo Janete (Way Models).
Henrique Tank se formou em Relações Públicas, mas pegou um atalho para o mundo da moda ao se tornar assistente dos stylists Juliano Pessoa e Zuel Ferreira. Com eles, teve oportunidade de produzir matérias para as revistas L’Officiel, Marie Claire, Simples e Vero Alphaville.
“Para esse ensaio quis trabalhar com a idéia de contrapontos, usando vestidos e peças mais clássicas misturadas a uma imagem mais agressiva e moderna, criada pela beleza realizada por Max Weber”, diz.
Janete, a modelo da Way Models escolhida para este editorial, é uma new face excepcional. Com um quê de diva, a moça soube interpretar uma Kim Novak do século 21.
Fotos: Rogério Cavalcanti Assistente de fotografia: Hugo Toni Styling: Henrique Tank Produção de moda: Heloisa Porcel Beauty: Max Weber Assistente de beauty: Diego Pastor Modelo: Janete (Way) Direção de arte e tratamento de imagens: Adriano Damas (Damas Design)
Créditos de moda:
FOTO 2 Body bordado de organza GIORGIO ARMANI PARA REPORTELA. Meia-calça opaca WOLFORD. Sandálias de camurça FERNANDO PIRES. Luvas de couro RAUDA ASSAF
FOTO 4 Vestido vermelho de seda plissada REINALDO LOURENÇO
FOTO 5 Vestido dourado de tafetá CHANEL PARA REPORTELA
FOTO 6 Vestido azul de cetim de seda YVES SAINT LAURENT PARA TRASH CHIC. Meia-calça opaca WOLFORD. Sandálias de camurça FERNANDO PIRES
FOTO 7 Vestido preto de tafetá MARCELO QUADROS. Luvas de couro RAUDA ASSAF
As modelos Manoela Ew e Andressa Fontana estão causando na “semana week de moda fashion” com seus traços marcantes, além da elegância e personalidade à toda prova.
Aqui, elas aparecem em fotos exclusivas feitas no backstage da Neon por Rogério Cavalcanti. A beleza foi criada por Lau Neves para M.A.C (maquiagem) e Paulo César Schetiini (cabelo).
Adorei a trilha sonora do desfile masculino de Alexandre Herchcovitch: uma música chamada “The Past is a Grotesque Animal” do Of Montreal.
Sabendo que o estilista é bastante minucioso em tudo que se refere ao seu trabalho, me pergunto se a escolha teria algo a ver com o título, além, é claro, da sonoridade. Seria uma referência ao seu passado recente, à frustrada negociação com o grupo I’M?
De qualquer forma, a música intensa e melancólica criou o clima perfeito para o desfile de referências multiétnicas. Ouça aqui!
Ontem, no lounge Fiat Glamurama, a designer de acessórios Francesca Romana Diana lançou uma linha de pulseiras, em homenagem aos 200 anos da chegada da Família Real ao Brasil. Feitas de latão e banhadas a ouro, as peças têm lindos desenhos feitos pela pintora (e princesa) Leli de Orleans e Bragança.
Hoje eu tive tempo de percorrer, com bastante calma, a exposição Olhar Contemporâneo, que é uma das grandes atrações deste SPFW. Todos os grandes mestres japoneses, que tiveram forte influência na moda do ocidente, estão lá: do precursor Kenzo (que está prestigiando o evento), passando por Rei Kawakubo e Junya Watanabe, da Comme des Garçons; Issey Miyake e Yohji Yamamoto; até o “novato” JunTakahashi, da Undercover.
Fiquei emocionada de ver, tão de perto, roupas tão especiais que eu só conhecia por meio de fotos, em revistas e sites. Foi como estar na presença da própria história.
Parecia que aquelas peças –testemunhas de uma revolução feita de tecido, costura e imaginação– apesar de estarem temporariamente congeladas nos manequins, poderiam ganhar vida novamente, em algum corpo, a qualquer momento. Afinal, as idéias contidas ali alargaram as fronteiras da moda, renovaram conceitos, trilharam caminhos inéditos. E, ainda hoje esses idéias estão vivas, elas comunicam o novo.
Por isso mesmo, quando me refiro a um destes estilistas, não me furto a denominá-los de criadores.
De cima para baixo: looks de Yohji Yamamoto, Kenzo, Junya Watanabe e Issey Miyake.