Mês: julho 2007

  • pílula do dia seguinte

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    “A cultura de massa é uma cultura de consumo, inteiramente fabricada para o prazer imediato e a recreação do espírito, devendo-se sua sedução em parte à simplicidade que manifesta”. Gilles Lipovetsky, O Império do Efêmero

    O que se faz, em nome dessa simplicidade, na mídia atual, me dá arrepios na espinha. Ainda bem que existe a Piauí. Aliás, um email que enviei para a revista, falando da matéria das cópias na moda, foi publicado na nova edição. Achei legal. Leia aqui o texto original.

    Parabéns para a revista e para a jonalista Daniela Pinheiro pela matéria sobre os plágios da moda. Tenho uma crítica a fazer: quando a repórter descreve com ironia as roupas usadas pelos entrevistados, revela uma atitude preconceituosa, igual à que tanto se critica no mundinho fashion, e enfraquece a matéria. Fiquei curiosa para saber qual seria a descrição do look usado por ela. Seria intelectual-com-ar-superior-fingindo-não-se-importar-com-a-moda? Ou a ironia se aplica só aos fashionistas? Aproveito também para dizer que no BlogView –blog de moda coletivo, do qual participo– a matéria foi discutida e continuará a ser aprofundada nos próximos dias. Graças ao conteúdo inteligente e aos textos longos da revista, criamos a gíria “escrever uma piauí”. Afinal, veja só, vocês também estão lançando moda! Biti Averbach

  • Pílula

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    Frase interessante do dia:

    Os modos de vida inspiram maneiras de pensar, os modos de pensar criam maneiras de viver”.

    Gilles Deleuze, Nietzsche

  • O estranho mundo dos robôs

    Dia corrido, sem tempo para blogar. Então vamos direto ao ponto. Robôs e andróides sempre fascinaram os humanos. A propósito do lançamento do filme Transformers, sugiro este vídeo-paródia sobre um ator-robô desesperado para atuar no blockbuster. Divirta-se!

    via Radar on Line

  • Vira o disco!

    Desde que a música virou arquivo digital, muita gente voltou a cultuar o velho e bom disco de vinil. Uns dizem que o som tem mais profundidade, outros, que o chiadinho tem charme, outros ainda, se deixam levar pela aura de relíquia e cultuam o objeto anacrônico. Mas acho que todo mundo concorda que a capa é um dos seus atrativos.

    O blog LP Cover Lover, especializado em capas de disco, é justamente o lugar ideal para passar horas procurando raridades e pérolas, como este disco que em que a cantora Nico aparece, toda sexy, fazendo um bico como modelo. 

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    Outros links relacionados:

    O Culto do Vinil – blog português para aficcionados

    Intoxica – loja londrina especializada em vinil (thanks André Felipe)

    Elenco – site do jornalista Ronaldo Evangelista sobre o selo Elenco, criado nos anos 60 por Aloysio de Oliveira. Tem fotos, informações e uma boa lista de lojas, sebos e sites relacionados (thanks Farinha)

    via desculpe a poeira

  • A bolsa da vez

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    Em 1999, fui “cobrir” um evento de moda em Toronto, no Canadá. Numa horinha de folga, sai para fazer compras e ao passar pelo caixa de uma loja, me ofereceram uma sacola de pano, por uns módicos 5 dólares. Foi a primeira vez que tomei contato com uma atitude ecológica num estabelecimento comercial.

    Oito anos se passaram e, aqui no Brasil, nunca vi ninguém usando uma sacola de lona num mercado ou loja. Mesmo com o crescimento da consciência ecológica, parece que as pessoas ainda têm dificuldade de assimilar pequenas mudanças no seu dia-a-dia, capazes de beneficiar o meio-ambiente.

    Recentemente, em Londres, a designer de acessórios Anya Hindmarch, conhecida por suas bolsas de 1.500 dólares, lançou uma edição limitada de sacolas de algodão, com a frase “I’m not a plastic bag” estampada, por 15 dólares. Foi um enorme sucesso.

    Em Hong Kong e Taiwan, onde também aconteceram lançamentos, chegou a haver tumulto. Algumas pessoas se feriram e um shopping center teve que ser fechado.

    Hoje é a vez de Nova York receber as cobiçadas sacolas de pano. Parece que o apelo da peça vem da sua tiragem limitada. Ela é vendida apenas em um dia, com limite de 3 unidades por pessoa, até acabarem os estoques. Veja o que a designer diz a respeito:

    “To create awareness you have to create scarcity by producing a limited edition,” she said. “I hate the idea of making the environment trendy, but you need to make it cool and then it becomes a habit.” Anya Hindmarch

    Leia mais sobre o assunto no NY Times.

    Foto acima: Lars Klove/NY Times

  • TV Sem Frescura informa…

    Na semana passada, São Paulo abrigou várias feiras de moda e acessórios. Eu estive em uma delas, a Mostra Acessórios, e garimpei dois lançamentos interessantes que apesar de serem completamente diferentes, se inspiraram em elementos africanos. 

    Estilista estreante, Marcela Feola criou vestidos e túnicas com os tecidos estampados, coloridíssimos, que trouxe de uma viagem à Nigéria. A marca, recém-lançada, se chama African Echoes. Dá só uma olhadinha! Se quiser adquirir uma peça, é só entrar em contato com a Marcela pelo email marcela_feola@hotmail.com

    Já Andréia Ribeiro, a experiente estilista da marca Diva, mostrou delicadeza na coleção inspirada no filme “A Cor Púrpura”. Rendas levíssimas, botões antigos e estampas miúdas encantam o olhar.

  • As 10 mais

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    Sexta-feira é o dia da minha coluna semanal no BlogView. Por conta da polêmica da semana passada, sobre a eleição do Cristo Redentor como uma das maravilhas modernas, decidi fazer uma lista com 10 itens capazes de melhorar o meu dia.

    Espia lá!

    Amanhã prometo postar novidades por aqui!

  • No alvo

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    Todo mundo já teve um jeans rasgado, stonado, “destruído de fábrica”. Ou um moletom cuidadosamente puído, com imperfeições criadas por ácidos ou lixas. Agora, que tal uma camiseta pólo perfurada à bala? A idéia pode parecer meio absurda, mas foi o que fez a marca americana Attus Apparel. Os sócios, Whit Hiler e Jered Garrison, convidaram alguns amigos para descarregar chumbo grosso, tipo Magnum 357 ou 45, em bonecos vestidos com as tais camisetas. Gravaram tudo em video e puseram no youtube. É claro que isso acabou chamando a atenção da mídia: o jornal New York Times publicou, no dia 8 de julho, uma matéria sobre a marca.

    O legal é que os caras, além de criativos, são bem irreverentes e irônicos. Aquele famoso bordadinho no peito, com desenho de animais ou logotipos, que costuma enfeitar as pólos, na Attus Attus Apparel têm outros contornos. O modelo chamado “hangover” (ressaca) mostra o desenho de uma privada, o “sid” presta homenagem ao punk com um moicano estilizado, e o “jerk” manda tudo para aquele lugar com um dedo médio em riste.

    via desculpe a poeira

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    PS- Fiquei pensando…se esse moda pega por aqui, o pessoal dos morros cariocas e do Jardim Ângela, em São Paulo, podia faturar uma graninha!

  • pausa poética

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    Muito tempo atrás, li a tradução de Millôr Fernandes para alguns poemas do israelense Yehuda Amichai. Agora os poemas apareceram de novo, no site da revista Piauí.

    NOSSA HISTÓRIA 


    Na história de nosso amor, um foi sempre
    Uma tribo nômade, outro uma nação em seu próprio solo.
    Quando trocamos de lugar, tudo tinha acabado.
    O tempo passará por nós, como paisagens
    Passam por trás de atores parados em suas marcas
    Quando se roda um filme.
    As palavras
    Passarão por nossos lábios, até as lágrimas
    Passarão por nossos olhos.
    O tempo passará
    Por cada um em seu lugar.
    E na geografia do resto de nossas vidas,
    Quem será uma ilha e quem uma península.
    Ficará claro pra cada um de nós no resto de nossas vidas
    Em noites de amor com outros.

    Yehuda Amichai

    Foto: Franck Juery